
Se você passa pelo menos dois minutos vendo as notícias nacionais e internacionais, é o suficiente para querer se esconder em um sítio no mato sem acesso à energia elétrica e muito menos acesso à internet. Tal qual JoutJout que sabiamente fez isso, todo mundo meio que deseja o mesmo.
Como esse não é um sonho muito prático e não dá para fugir de tudo, tentamos nos distrair a todo custo para escapar da realidade. Muito sofrimento, muita violência, muita injustiça. É tanta desgraça que sufoca. E qual o jeito? Vou me alienar de qualquer jeito para esquecer, para não me importar, para não doer.
Só que até a ignorância é privilégio. Porque quando se é branco, cisgênero, heterossexual e rico, você pode mesmo existir tranquilamente e não saber nada sobre nada.
Mas já para nós pessoas racializadas, lgbts e da classe trabalhadora, a banda toca diferente.
E por que eu tô dizendo tudo isso? Porque nesse mês de junho, mês do orgulho LGBTQIAPN+, dois criadores de conteúdo brasileiros acharam de bom tom ir visitar o estado ilegítimo de Israel e acabaram confinados por alguns dias sem poder deixar o país por conta da guerra.
Beto Martinne e Murilo Lorran tiveram que lidar com as críticas por serem justamente pessoas negras e lgbts em um país que está assassinando palestinos há anos.
Após conseguirem retornar ao Brasil em segurança, fizeram um vídeo se retratando e pedindo desculpas pela ignorância. O que foi dito é que eles não se aprofundaram, não houve pesquisa, eles só ficaram felizes pelo convite do consulado israelense e decidiram que era uma boa oportunidade. E aí eu fico pensando, primeiro, se vale tudo para gravar conteúdo. Pensando também se todo convite para viajar é a grande oportunidade das nossas vidas quando existe toda uma comunidade denunciando os crimes cometidos ali.
O fato é que os influenciadores arriscaram a própria vida, mancharam a reputação e se transformaram em um exemplo do que não fazer no quesito posicionamento político nas redes.
Claro que faz parte do projeto de Israel vender a ideia de que eles se importam com as pautas de diversidade, que são progressistas e diferentes dos outros países do Oriente Médio. Enquanto isso, estão causando um verdadeiro genocídio em Gaza. Precisa realmente ir tão fundo nas pesquisas para descobrir isso? O que estamos fazendo com o nosso tempo online, realmente nos protege?
Na minha avaliação, existem corpos que não podem se dar ao luxo de serem omissos. Todo esse individualismo (bem eurocêntrico) causa a falsa sensação de que estamos cuidando da nossa saúde mental, mas a desinformação pode machucar mais e às vezes nos custar a vida.


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