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Ronald MouraRonald Moura Marketing | Comunicação

Na era do hiperconsumismo somos todos influenciáveis

É engraçado perceber que quando criticamos a superficialidade e impactos negativos do mercado de influência, nós nos consideramos como algo ou alguém que está fora da sociedade capitalista. Fazemos parte do 1% não influenciável. Muita gente bate no peito para dizer isso, que não faz parte do grupo alienado que compra tudo que vê quando abre o Instagram.

Tudo bem, você é um pouco mais consciente. Menos fanático. Talvez seja responsável financeiramente. Mas desde que a publicidade foi massificada através do rádio e televisão nos anos 1950 e depois incorporada na internet em 1994 e inserida nas redes sociais em 2004, a gente não toma uma decisão de compra por si só.

Desculpa, mas essa é a realidade. Toda a mídia que consumimos desde a hora que acordamos até a hora que vamos dormir, possui o famoso merchandising. Ou seja, de um jeito que parece orgânico, marcas aparecem dentro dos nossos conteúdos preferidos. Instigando nossos desejos, mexendo com as nossas faltas.

Com o esvaziamento do nosso senso de comunidade, a exaltação da individualidade e a força que a solidão bate na nossa porta, é quase impossível não cair na tentação de ter para suprir o ser. Veja bem, não é impossível, mas é quase.

Por que eu digo isso? Porque se você faz parte da classe trabalhadora, tem a sua mão de obra explorada e pouquíssimo acesso à cultura e lazer gratuito, o que te dá prazer?

Talvez aquele delivery no meio da semana, uma comprinha online para acalmar o coração, a balada com os amigos no final de semana. Mas não é qualquer delivery, qualquer comprinha, ou qualquer balada, né? Com certeza para cada um desses itens, você viu, ou ouviu falar através de alguma campanha de divulgação que não seja necessariamente a publi escancarada que você abomina.

O que está faltando na gente é a autocritica para entender que não somos assim tão diferentes de todos os outros consumidores do planeta.

Um jeito absurdo de mostrar a forma como nos relacionamos com esse sistema está presente no primeiro episódio da sétima temporada de Black Mirror que se chama Common People. Vale a pena assistir não só pelo entretenimento, mas para entender que esse não é um futuro tão distante de nós.

Então o que fazer?

O escritor e líder indígena Ailton Krenak em seu livro “Ideias para adiar o fim do mundo” nos dá uma luz no fim do túnel, explicando que temos que nos esforçar para sermos cidadãos ao invés de consumidores.

“Precisamos ser críticos a essa ideia plasmada de humanidade homogênea na qual há muito tempo o consumo tomou o lugar daquilo que antes era cidadania”

Ele continua:

“José Mujica disse que transformamos as pessoas em consumidores, e não em cidadãos. E nossas crianças, desde a mais tenra idade, são ensinadas a serem clientes. Não tem gente mais adulada do que um consumidor. São adulados até o ponto de ficarem imbecis, babando.

Então para que ser cidadão? Para que ter cidadania, alteridade, estar no mundo de uma maneira crítica e consciente, se você pode ser um consumidor? Essa ideia dispensa a experiência de viver numa terra cheia de sentido, numa plataforma para diferentes cosmovisões…“

Nessa estrutura que foi criada para nos encurralar e nos manter passivos (imbecis) e babando, como diz Ailton Krenak, a nossa rebeldia não deve ser só vociferar que não caímos nas armadilhas, mas sim de fato construir e sustentar diferentes formas de ser e de se relacionar uns com os outros.

Camila Hilário

Camila Hilário é jornalista, modelo e influenciadora com mais de 7 anos de atuação em autoestima. Criadora de conteúdos profundos e reais, já trabalhou com marcas como O Boticário, Avon, DOVE, Magazine Luiza, entre outras. É idealizadora de projetos como Negritude Piauiense e Deixe-me Ser, que promoveram a valorização da estética negra e do amor próprio feminino.

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